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Sabedoria

 

A Vida com o feminino
por Rafael Andrete

Esquecemos uma parte da Vida na nossa sociedade, pois esquecemos, muitas vezes, do feminino. Na sociedade masculina chorar é símbolo de fraqueza, expressar emoções e afeto é sinal de fragilidade, a lagrima derramada mostra a falta de segurança, pois na sociedade dos homens a flor delicada é desacreditada por ter uma vida frágil, sendo ignorada em sua beleza. Tantas vezes o feminino foi desprezado como uma flor por ser efêmera e esquecida na profundidade que nos invade com seu perfume.

Ao assumir o feminino na nossa sociedade temos de assumir que não temos o controle de nossas vidas como uma posse a ser dominada, mas que somos seus alunos e humildemente nos nutrimos do que ela tece.

Ao aflorar o feminino ficamos mais sensíveis as necessidade alheias, e não podemos mais tomar decisões frias e práticas, e com isso, a ética deixa de ser uma idéia vaga para se tornar algo real e profundo, passando a ser uma realidade sagrada que nos preenche dia a dia.

Ao buscar o feminino não poderemos mais ser simples conquistadores de metas e objetivos, teremos de deixar de acreditar que o sucesso depende de nossa ambição, da nossa capacidade de dominar.

Ao vivermos com sensibilidade, perceberemos que para conseguir nossa felicidade não dependeremos mais da segurança das posses, mas da capacidade de compartilhar. Lembraremos que os momentos de alegria são vivenciados quando expressamos uma emoção sem medo, e nesse estado simples de abertura teremos a fonte da plenitude.

Usar o coração nas nossas relações impede de usar o próximo como uma referencia para nossa felicidade, teremos simplesmente de parar de medir nossa capacidade através das disputas, principalmente aquelas silenciosas que travamos dia a dia, com os que podem nos tirar a armadura feita de orgulho. Palavras poderão ser usadas para dizer que há alegria e deixarão de serem usadas como espadas, pois não carregaremos mais a intenção de ferir para sentirmos que temos poder. É descobrir que a verdadeira força surge ao derrubar o medo de sermos fracos, revelando assim o real poder sobre nossos medos.

Mais do que transformar as relações pessoais, a própria noção de egoísmo se desfaz no feminino, pois estaremos abertos e ansiosos as necessidades do próximo, ouviremos antes de pensar em falar, pois já não escutaremos apenas o significado das palavras, mas a sutileza do gesto, a emoção por trás da intenção.

Pensaremos nos sentimentos que nos aproximam um dos outros e não podemos mais ser indiferentes à dor, pois veremos em cada pessoa que sofre, a face de um filho. Sentiremos a dor de um estranho como nossa própria dor, e viveremos a experiência da compaixão, de termos toda a humanidade em um único ser dentro de nós.

Em uma sociedade feminina a terra e a natureza são compartilhadas pelo homem e não exploradas, a necessidade de cuidar e nutrir o próximo faz com que pensamos em todo que virão depois de nós, no que estamos preservando e no que estamos oferecendo, seremos todos “mães”. Incorporados ao feminino teremos consciência do nosso legado, de que tudo que produzirmos virá da terra e será doado a terra, portanto nada é nosso, mas tudo terá de ser doado aos nossos “filhos” que serão filhos da terra e só viverão se também aprenderem a doar.

Quando pudemos ouvir com o coração, compreendemos que os erros que machucam não foram originados na maldade, mas no medo de não sermos amados, assim estaremos transformados para amar com todas as forças e redimir a escuridão, iluminando todo o caminho para lembrar que ninguém esta só, e para ser amado só precisa Ser o que se É.

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